CDBs e PDBs: O Coração da Arquitetura Multitenant

66 views 8:46 pm 0 Comments fevereiro 23, 2026

Se você trabalha com infraestrutura de dados, sabe que a eficiência e a escalabilidade não são mais opcionais. Com o lançamento do Oracle Database 26 (Oracle AI Database), a arquitetura Multitenant deixa de ser apenas uma funcionalidade avançada para se tornar a base fundamental de toda a operação.

Neste artigo, eu vou te mostrar os conceitos de CDBs e PDBs, explorando como essa estrutura revoluciona o gerenciamento de bancos de dados modernos.

O que é a Arquitetura Multitenant?

Imagine que, antigamente, cada banco de dados era como uma casa isolada: cada uma precisava do seu próprio sistema de encanamento, fiação e segurança. Na arquitetura Multitenant, passamos para o modelo de um “edifício de apartamentos”. O edifício (CDB) fornece toda a infraestrutura compartilhada, enquanto cada apartamento (PDB) é uma unidade independente e isolada para o morador (aplicação).

Desde o Oracle 21c, esta é a única arquitetura suportada. O modelo antigo (non-CDB) foi oficialmente descontinuado.

Os Componentes Principais

Para entender como tudo funciona, precisamos definir os três pilares que compõem um ambiente Oracle moderno:

1. CDB (Multitenant Container Database)

O CDB é o banco de dados principal que “hospeda” os outros. Ele detém a instância do Oracle (processos de background e memória SGA). No nível físico, o CDB possui os arquivos de controle (control files), redo logs e arquivos de dados do sistema.

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2. PDB (Pluggable Database)

O PDB é o banco de dados “conectável”. Para a aplicação e para o usuário final, o PDB parece e funciona exatamente como um banco de dados tradicional. A grande diferença é que ele pode ser “desplugado” de um CDB e “plugado” em outro com extrema facilidade.

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3. Root e Seed: As Peças Invisíveis

  • CDB$ROOT: É o contêiner mestre. Ele armazena os metadados do sistema e os usuários comuns (que podem acessar vários PDBs). Ele não deve ser usado para armazenar dados de aplicações.
  • PDB$SEED: É um template pronto. O Oracle o utiliza como modelo para criar novos PDBs de forma quase instantânea.

Tipos de PDBs no Oracle 26

A arquitetura evoluiu e hoje oferece diferentes sabores de contêineres para necessidades específicas:

  • Standard PDB: O uso mais comum, plugado diretamente no Root.
  • Application PDB: Fica dentro de um “Application Container”. Ele pode compartilhar dados e metadados comuns entre vários PDBs de uma mesma aplicação (ideal para modelos SaaS).
  • Proxy PDB: Funciona como um “atalho”. Ele aponta para um PDB em outro local (remoto). Quando você faz uma query nele, ele a executa no banco de destino.

Por que migrar? Os Benefícios Técnicos

Se você ainda está na dúvida sobre o valor dessa arquitetura para o seu negócio, considere estes pontos:

  1. Consolidação Eficiente: Gerencie centenas de PDBs como se fossem um só. Backups e atualizações (patches) podem ser feitos de uma vez no nível do CDB.
  2. Agilidade no Desenvolvimento: Precisa de um ambiente de teste idêntico à produção? Você pode clonar um PDB em segundos, sem interromper a operação.
  3. Upgrades Facilitados: Quer migrar da versão 19c para a 26? Basta desplugar o PDB do servidor antigo e plugá-lo no novo CDB 26. O processo de upgrade é focado apenas no dicionário de dados do PDB.
  4. Isolamento de Segurança: Embora compartilhem recursos de hardware, os dados de um PDB são totalmente invisíveis para outro, garantindo a conformidade e segurança.

Conclusão

A arquitetura de CDBs e PDBs no Oracle Database 26 não é apenas uma mudança técnica; é uma mudança de paradigma. Ela traz para o mundo dos bancos de dados relacionais a mesma flexibilidade e agilidade que as máquinas virtuais e os containers (Docker) trouxeram para o sistema operacional.

Para o DBA moderno, dominar esses conceitos é o primeiro passo para gerenciar frotas de dados de forma inteligente e preparada para a nuvem.

Te vejo no próximo post!